Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Eça em Caricatura no Porto (Semana 4)

De 18 de Dezembro a 31 de Março, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, está patente a exposição “Eça em Caricatura”, inaugurada pela senhora ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. A mostra pode ser visitada todos os dias entre as 15h e as 20h.

 

Clã Mahatma no Museu da Imprensa, em 2 de Março de 2007

 

 

No Museu Nacional da Imprensa, o visitante pode conhecer outras facetas de Eça de Queirós: descobrirá não só o modo como este autor realista se via, mas também o modo como os seus contemporâneos e os caricaturistas da actualidade o retratam.

Dos vários caricaturistas, destacam-se os portugueses Rafael Bordallo Pinheiro (1846-1905), Stuart Carvalhais (1887-1961), Mário Botas (1952-1983), João Abel Manta (1928) e Vasco (1935). É de realçar igualmente a presença de vários caricaturistas brasileiros, o que prova que Eça de Queirós tinha uma boa relação com o Brasil. De facto, sabemos que Eça é um autor muito querido no Brasil, tendo mantido com os brasileiros ligações estreitas aquando da sua vida diplomática. Pode citar-se como exemplo expressivo as tertúlias que dinamizava diariamente na sua residência em Paris, quando ali desempenhava as funções de Cônsul, às quais acorriam os portugueses e os brasileiros que se encontravam na capital francesa. Aí trocavam impressões sobre a vida económica, política e literária, o que permitia que Eça se mantivesse actualizado em relação a Portugal e ao Brasil. Curiosamente, existe ainda em Tormes uma mesa que terá sido a “mesa das sessões de espiritismo ” que se realizavam na casa de Paris, provavelmente uma das influências dos amigos brasileiros que a frequentavam.

Outro aspecto que chama a atenção do visitante são as cinco auto-caricaturas originais, em que Eça de Queirós se retratou de forma burlesca, o que demonstra que o espírito crítico do autor não se aplicava unicamente aos outros, mas também a si próprio, revelando o sentido de humor tão característico deste escritor. Ajusta-se a este género humorístico da caricatura a expressão destacada logo no início da exposição: «O humor e olhar satírico fazem parte integrante da sua escrita. Esta particularidade começa na imprensa, nas famosas Farpas, partilhadas com Ramalho Ortigão. O objectivo do jornal é “farpear” o país. “As Farpas são pois o trait, a pilhéria, a ironia, o epigrama, o ferro em brasa, o chicote, postos ao serviço da renovação.” disse. Eça não tinha qualquer pejo em acrescentar que “a galhofa deve ser posta ao serviço da justiça.” Aos 21 anos, ele tinha já uma ideia muito clara sobre a importância do humor gráfico. E disse frontalmente o que pensava sobre a Caricatura: “O meio mais poderoso de desacreditar, no espírito do povo, os maus governos.” E explicou porquê: “mais que torná-los odiosos, torna-os desprezíveis.”

Além de um busto original de Rafael Bordallo Pinheiro, datado de 1901, um ano após a morte de Eça de Queirós, pode apreciar-se a revista “A Gaiola Aberta”, de 1 de Julho de 1978, com texto de Eça de Queirós sobre os Açores, havendo igualmente uma caricatura de José Vilhena que apresenta Eça e a sua fina ironia, no comentário “Os Açores? O melhor é dá-los e depressa.”

Como dizia José Bandeira, numa entrevista à revista “notícias magazine” de 20 de Novembro de 2005, “Um bom cartoon é aquele que faz pensar. Um cartoon, comentou, pode ser muitas coisas, desde que faça dispara o cérebro.” Esta mostra de caricaturas dedicada a Eça de Queirós demonstra exactamente que este autor despertou, no seu tempo, e ainda hoje, o espírito crítico, graças ao seu sentido de observação e à sua análise mordaz da sociedade.p

sentimo-nos:
publicado por Daniel às 01:49
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